O encantador de sonhos - o novo ano.

Ao som das últimas badaladas, o encantador de sonhos nasce em cada coração renovando as esperanças de que os seus sonhos sejam realizados. 
Sentimo-nos como crianças, quando estamos a sua espera. Corações agitados... Ansiosos... Desejosos que ele chegue logo. 
E quando chega é só alegria, e nada silenciosa.
 Vem em grande zueira, iluminando os céus, fazendo o mundo reverenciá-lo com toda suntuosidade e galhardia.
É só felicidade.

Por alguns instantes ele é o centro de todas as atenções, mas logo ao amanhecer passa a ser visto como mais um, dentre os 364 restantes para que tudo tenha um novo recomeço.
Ao longo desse tempo, estabelecemos confiança esperando que os dias tornem-se nossos cúmplices em manipular as horas a nosso favor.
Ás vezes rimos... ás vezes choramos... o escutamos sempre, não só com os nossos ouvidos, mas com o silêncio que há sempre entre nós.
Respiramos juntos... estamos ligados um ao outro sempre. Como dizem por aí: é " nóiz "
Ele está sempre cheio de hoje... amanhã e depois.
Na sua simplicidade, nós o conquistamos um dia após outro, até que seja completado o ciclo destinado a cada um de nós.
O encantador de sonhos é um novo ano feliz, porque encanta dos mais simples até aqueles mais audaciosos e destemidos. Portanto não tenha medo de sonhar.
Sendo assim digo aos meus amigos e seguidores:

Sejam vocês felizes no novo ano para que seus sonhos sejam encantados e encantadores.


O último voo.

Quem sabe quando será?
Para onde será?
E como será?
Perguntas no ar...

Asas nascem com vontade de ir...
Crescem com a esperança de conquistar...
Abrem-se majestosamente, movimentam-se  com força, garra e voam.

Quem sabe para onde?
O infinito é meu...pensa... Mesmo sombrio e chuvoso.
Vai voltar?
Para onde? Para casa?
Não sei... Apenas voo.
Perguntas no ar...

Poderá ser vivido como um sonho de fadas...
Poderá ser interrompido sem aviso prévio.
Um sonho incompleto no céu de Chapecó que chorou no reencontro doloroso com seus “filhos” amados.

Almas dilaceradas pelo sofrimento acolheram-os nos braços pela última vez.
Asas partidas... Um sonho a menos... Uma dor a mais, uma história escrita, uma partida repentina, uma volta dorida e sem sentido, e um final solidário como legado.

Atravessam agora a passarela da morte sobre o tapete vermelho, as vidas interrompidas que retornam a casa do pai no seu último voo.

Minha homenagem á associação Chapeconiense de futebol, membros da equipe, jornalistas, tripulação e familiares que ora choram pela perda dos seus entes queridos, em 29 de novembro de 2016  pelo trágico acidente aéreo na Colômbia.
Chapeconiense seu nome agora é saudade.